Viajando em época de pandemia: covid-19

Acho que muitos Viajandinhos possam estar na mesma situação que eu, então resolvi escrever esse texto para você que tem que pegar um avião no meio de uma pandemia. Esse texto é um relato pessoal da minha viagem de Portugal para o Brasil e a volta. As viagens aconteceram em março e maio de 2020, em meio ao surto mundial do coronavírus.

Pequena apresentação

Eu sou a Elisa, uma carioca que foi estudar em Portugal em 2018 e segue morando fora. A vida europeia com todo o glamour que imaginamos, não vem do nada. A gente tem que batalhar e parece que tudo é mais fácil pelo Instagram. Mas a verdade é que viver sozinha em outro país, sem conhecer ninguém e com temperaturas bem menores que estamos habituados não é uma tarefa fácil. Mas isso é assunto para outro post.

Hoje, venho contar minha experiência para viajar de Portugal para o Brasil em março de 2020. Bora contextualizar o que se passa?

COVID-19: O monstro de 2020

O ano é de 2020, uma pandemia tomou conta do mundo. O COVID-19 é o nome mais ouvido e falado no mundo. Provavelmente se você está lendo esse texto você sabe disso. Como eu, imagino que muitas pessoas que moram no exterior tenham sentido necessidade de ficar perto de quem ama, voltar para a sua terra e principalmente achar métodos de não ficar doido dentro de casa. Para quem mora sozinho, entrar em uma quarentena sem saber quando vai sair pode ser um enorme gatilho para problemas psicológicos.

Em março já tinha minhas férias agendada para o Brasil, mas a viagem que era para o dia 27/3 foi repassada as pressas para o dia 20/3 para eu conseguir sair do país antes que as fronteiras fechassem. Para voltar outro susto, os voos foram cancelados e sem previsão do espaço aéreo europeu abrir definitivamente. Eu consegui voltar apenas no finalzinho de abril (meu voo de volta era para o dia 10/4 e eu consegui voltar no dia 30/4) e isso porque tinha visto de residente e Portugal não fechou totalmente as fronteiras com países de língua portuguesa.

No aeroporto 

Em Lisboa

Passagem nas mãos, caos total para conseguir adiantá-la, mas lá estava eu super equipada para não ser contaminada no aeroporto.

Pelo menos em Lisboa, os voos poderiam ser cancelados a qualquer monumento. Só era permitido entrar no aeroporto quem estivesse com a passagem e também cada um toca na sua mala, faz o próprio check in. Você é inteiramente responsável pelas suas coisas.

No Rio de Janeiro

Na volta, fui pelo aeroporto Santos Dumont. O aeroporto estava vazio, mas era possível entrar acompanhantes (diferentemente do aeroporto de Lisboa). Senti que o processo no Rio estava um pouco mais relax que em Portugal.

A roupa de viagem

Fui de Uber, com máscara e 2 frascos de álcool em gel no bolso do casaco. Minha roupa era um casaco de zipper, calça e uma blusa de botão. Ou seja, um kit completo para não precisar passar a roupa pela minha cabeça quando chegasse ao Brasil. Sim, a essa altura eu já estava paranóica, vivendo 5 dias em Portugal saindo apenas para ir ao mercado.

Quando voltei do Brasil para Portugal já estava bem mais relax, mas voltei com a mesma roupa e também regada no álcool em gel. Infelizmente meu voo tinha 2 escalas, o que fez com que fosse bem maior, ou seja, chega uma hora que todos desistem e é um salvasse quem puder.

Como eu fiz no aeroporto 

Cheguei no aeroporto com máscara e mais 4 máscaras disponíveis na bolsa de mão. Eu viajei com o cabelo preso a todo momento. Evitei ao máximo comer no aeroporto, mas em Lisboa tomei um café. Não fui de luvas, MAS TUDO QUE EU TOCAVA, eu passava álcool em gel. Não demorou nada para eu ter uma crosta de álcool na mão. Tentei me manter longe das outras pessoas o máximo possível, e não apoiar minha mochila em muitos lugares, mas no avião isso não rola. O fato é que quando o embarque começa e na hora de sair do voo, não há distância social que sobreviva.

Ida: voo de Tap

Logo do início o pessoal da Tap informa que o serviço de bordo seria reduzido por causa da pandemia. A refeição foi servida normalmente, todos os passageiros ao meu lado estavam de máscara e as pessoas estavam mais quietas, evitando a circulação.

Como eu sai da Europa. acho que o pessoal estava com o mesmo sentimento que eu. Ninguém sabia muito bem o que fazer, mas tinha percebido que a situação não era pra brincadeira.

O que achei bem ruim foi que os banheiros da TAP estavam imundos. Minha sensação era que ninguém queria tocar nos lixos e virou um grande banheiro químico. Achei bem péssimo, mas o voo foi direto (grande ponto positivo).

Pontos positivos TAP

  • Voo direto, Lisboa – Rio (aproximadamente 12h de voo)
  • Facilidade no acesso no aeroporto de Lisboa.
  • Comida ok. Nada especial, mas estava boa.

Pontos negativos TAP

  • Banheiro sujo
  • Avião mais antigo

Volta: Voo da Azul

Ao voltar, consegui apenas uma passagem da Azul, uma das poucas companhias que estavam voando internacionalmente. Queria dizer que os preços estavam bem dentro do padrão, mesmo comprando com uma semana apenas de antecedência, achei razoável. Porém o voo demorou 17h e na situação na qual estávamos, cada hora parecia uma corrida dos coroinhas entrando na gente.

Meu voo foi até Campinas, depois fez escala em Recife para então seguir para Lisboa. Gente, o voo parecia um ônibus. Eu jurava que iriam ter espaços, ou uma segurança maior por causa do vírus, mas achei bem confuso.

Pontos positivos Azul

  • Voos em meio a pandemia
  • Serviço de bordo tava ok e as comidinhas também. Achei mais limpinho.
  • O app é super fácil de usar.

Pontos negativos Azul

  • Muito cheio e desorganizado. Deixaram todos embarcarem com as malas de mão, depois foram despachar.
  • Voo muito longo, mas também vamos relevar.
  • Extremamente cheio e com sensação de falta de segurança com relação à saúde.

Ao final de todo esse percurso, ainda tive minha mala perdida que foi devolvida 3 dias depois.

Mas enfim, o que eu sugiro para você que vai enfrentar um perrenguinho desses (com certeza é porque precisa e não porque quer, afinal agora não é hora de viajar).

Dicas básicas para viajar em meio ao COVID.

  1. Tenha paciência.
  2. Leve máscara extra.
  3. Leve bastante álcool em gel e também lencinhos de papel.
  4. Evite ficar andando pelo avião.
  5. Cuidado ao usar o banheiro e no que toca.
  6. Se for usar luvas, não coma com ela se tiver tocado em tudo antes.
  7. Lembre que o celular é um ótimo objeto de contágio.
  8. Lembre-se de passar álcool no cinto do avião, na tela, na mesa e nos braços da sua cadeira. Afinal, você vai passar um bom tempo encostando em tudo.
  9. Atenção ao tirar a máscara para não esfregá-la no rosto.
  10. Quando chegar no destino cumpra a quarentena. É realmente fácil se contaminar nesse tipo de ambiente.

Acho que são essas dicas que eu posso dar após minha experiência. Tudo indica que passei ilesa pelas duas viagens, então acho que deu certo. Mais uma vez, seja responsável por você e também com os outros. E cuide-se.

Beijos Viajandinhos,

Autora: Elisa

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